“Ser poeta? É sobretudo não fazer nada”. A frase – que, para mim, reclama mais uma interrogação do que um ponto final - é de Octavio Paz, Prêmio Nobel de Literatura. O que o escritor mexicano quis dizer?!... Pressupondo que a reunião de verbos, substantivos, conjunções, artigos, pronomes, advérbios, etc. – a construção de uma expressão, enfim, independente da arquitetura, objetiva transmitir, comunicar uma mensagem, somos obrigados a entender, através da disposição das palavras, o óbvio: o que está escrito – “Ser poeta é sobretudo não fazer nada!”- a despeito do filosofismo subentendido que, entretanto, não pode transcendentalizar o sentido do vocábulo, se o autor assim o quisesse, a ponto de priva-lo de realidade! Prefiro a psicologia (da “Composição”) de João Cabral de Melo Neto (que, aliás, com “p-maiúsculo”, batiza o poema no qual mostra que a sua obra é fruto de seu trabalho – e não do acaso). Eis alguns trechos: “Não a forma encontrada / como uma concha, perdida... Não a forma obtida / em lance santo ou raro... Mas a forma atingida / com a ponta do novelo / que a atenção, lenta, / desenrola, / aranha...”.
(www.marianodarosapoeta.blogspot.com)
20:02 - 03/11/2006
Sua senha é secreta. Nenhum funcionário do UOL está autorizado a solicitá-la. Regras de uso. | Crimes virtuais: denuncie